Crimes contra a fauna e identificação de espécies através de pelos

O Brasil é um país mega diverso, seus biomas o classificam como um dos maiores berços da biodiversidade no planeta. No Brasil há mais de 600 espécies de mamíferos, sendo que cerca de 10% são consideradas ameaçadas de extinção.


O tráfico de animais selvagens ocupa o quarto lugar dentro as atividades ilícitas no mundo, perdendo apenas para o tráfico de armas, drogas e pessoas, sendo assim responsável por diminuir o número de espécies, o que só fomenta ainda mais a atividade, em busca de animais raros.


Infelizmente, crimes contra a fauna são frequentes. Como consequência do contrabando animal, há diminuição da biodiversidade, o que leva a extinção de muitas espécies, causando desequilíbrio dos ecossistemas, ameaçando a vida no planeta.


De acordo com a Legislação vigente em cada país e região administrativa há normativas que tipificam distintos crimes contra a fauna, por exemplo, maus-tratos, mutilar, ferir, caçar e apanhar sem devida autorização, matar com crueldade, abuso sexual. O Brasil é considerado um dos países com maiores avanços no âmbito proteção ambiental, contudo é preciso que as sanções sejam realmente aplicadas.

Para tal, a identificação de espécies é de suma importância, seja em casos investigativos ou flagrantes. A identificação pode ser realizada de forma comparada (zoobiologia forense), através da genética forense ou ainda utilizando-se amostras de pelos, no caso dos mamíferos.


Os mamíferos são caracterizados pela presença de pelos que recobrem a pele. Os pelos são estruturas queratinizadas, compostos por duas porções: raiz, que é incorporada a derme e a haste, estrutura cilíndrica que se estende por cima da epiderme.



Microscopicamente o pelo é composto por cutícula, medula, córtex e grânulos de pigmento, o arranjo e distribuição desses elementos difere os pelos de cada parte do corpo de um mesmo indivíduo. A análise dos padrões morfológicos dos pelos pode permitir a identificação taxonômica das espécies.


Os pelos são divididos em dois principais grupos: subpelos e pelos-guarda. Os subpelos são curtos, ondulados e finos, se apresentam em grande número, tem função de termorregulação e proteção. Os pelos-guarda, por sua vez, são mais longos e grossos, se apresentam em menor número, sobressam-se, sendo responsáveis pela coloração da pelagem e mecanorrecepção.


A comparação morfologia de pelos é usada como exame de triagem, direcionando a análise e pode ser complementada pelo exame genético, que é padrão ouro na identificação de espécies, a associação das duas técnicas garante maior sensibilidade ao relatório pericial.


Por fim, a tricologia forense é uma técnica simples, fácil e barata, podendo contribuir para vários setores, a fim de preserva o patrimônio ambiental e contribuir no avanço da medicina veterinária forense.


 

REFERÊNCIAS


BECK, Raissa Marques; REIS, Servio Túlio Jacinto; ROCHA, Noeme Sousa. Estudo Retrospectivo das Ocorrências de Crimes Contra a Fauna Atendidos pela Policia Militar Ambiental do Estado de São Paulo, 2012–2015. Brazilian Journal of Forensic Sciences, Medical Law and Bioethics, v. 6, n. 3, p. 453-466, 2017.


DE MIRANDA, Guilherme HB; RODRIGUES, Flávio HG. Guia de identificação de pelos de mamíferos brasileiros. 2014.


TREMORI, Talia et al. Hair analysis of mammals of Brazilian wildlife for forensic purposes. Open Journal of Animal Sciences, v. 8, n. 3, p. 335-345, 2018.

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